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Foto: César Greco
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Coluna do Verdão: Carlos Miguel não pode ser mais titular no Palmeiras

Existe uma diferença importante entre apoiar um jogador em um momento de dificuldade e ignorar quando os erros começam a se tornar recorrentes. No caso de Carlos Miguel, entendo que o Palmeiras já chegou ao ponto em que precisa discutir seriamente uma mudança no gol.

Um clube que disputa Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores para ser campeão não pode conviver frequentemente com a sensação de insegurança em uma posição tão decisiva.

Todo goleiro falha. A posição talvez seja a mais ingrata do futebol justamente porque um único erro pode definir uma partida. O problema começa quando a exceção passa a ser percebida como rotina.

E, neste momento, Carlos Miguel não transmite a confiança necessária para continuar como titular absoluto do Palmeiras.

Foto: César Greco
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O problema não é uma falha isolada

O empate por 1 a 1 com o Cerro Porteño reforçou essa discussão. O Palmeiras vencia uma partida complicada, atuava com um jogador a menos e estava próximo de levar uma vantagem para o confronto de volta das oitavas da Libertadores.

Nos acréscimos, porém, veio o empate em um lance no qual o próprio Abel Ferreira reconheceu que Carlos Miguel poderia ter feito melhor.

Abel fez corretamente seu papel como treinador ao proteger o jogador publicamente. Não seria razoável esperar que ele fosse para uma entrevista coletiva responsabilizar exclusivamente seu goleiro.

Mas proteger o atleta diante dos microfones não significa necessariamente mantê-lo como titular independentemente do desempenho.

A questão não está somente naquele lance. É a frequência com que Carlos Miguel tem transmitido insegurança que começa a pesar.

Palmeiras
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Palmeiras precisa de segurança no gol

Existe uma reclamação recorrente, por exemplo, entre torcedores do São Paulo sobre Rafael. Muitos o consideram um goleiro regular, aquele jogador “nota seis” que normalmente entrega aquilo que se espera, mas raramente produz defesas extraordinárias.

Ainda assim, prefiro um goleiro previsível e seguro a outro capaz de grandes intervenções, mas que também carregue consigo a possibilidade constante de um erro decisivo.

Não vejo atualmente, entre os principais clubes brasileiros, outro goleiro sendo tão questionado pela recorrência de falhas quanto Carlos Miguel.

E esse é o ponto central.

O Palmeiras não precisa necessariamente que seu goleiro faça um milagre por partida. Precisa primeiro que ele não transforme situações controláveis em problemas.

Principalmente em mata-matas.

Abel deveria considerar uma mudança

Na minha avaliação, Carlos Miguel já merece perder a titularidade.

Não como punição, muito menos como tentativa de encontrar um único culpado pelos problemas recentes do Palmeiras. Futebol não funciona dessa maneira, e o empate contra o Cerro esteve longe de ser responsabilidade exclusiva do goleiro.

A mudança seria consequência de desempenho.

Quando um jogador atravessa uma sequência na qual não transmite segurança, o treinador precisa considerar outras opções. Isso vale para atacante que não marca, defensor que acumula erros e também para goleiro.

Carlos Miguel pode recuperar confiança, corrigir seus problemas e voltar a disputar a posição. Perder a titularidade agora não significaria necessariamente encerrar sua trajetória no Palmeiras.

O que não pode acontecer é a camisa definir a escalação independentemente do rendimento.

Abel sempre defendeu a meritocracia e a competitividade interna do elenco. Chegou a hora de esse princípio também ser colocado à prova no gol.

Porque em um Palmeiras construído para disputar títulos, confiança debaixo das traves não pode ser tratada como detalhe.

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