Há partidas em que o futebol bonito precisa aparecer. Há outras em que controlar a bola, criar dez oportunidades e dominar o adversário é quase uma obrigação. Mas existem noites de Libertadores em que é preciso simplesmente saber sobreviver.
Contra o Cerro Porteño, em Assunção, o Palmeiras soube.
A vitória por 1 a 0 talvez não entre para a coleção das grandes atuações da era Abel Ferreira. Tecnicamente, houve dificuldades. O time demorou para entrar no jogo, sofreu com o ambiente da Nueva Olla e não apresentou uma quantidade enorme de oportunidades.
Mas talvez analisar essa partida somente pela qualidade técnica seja perder justamente aquilo que decidiu a classificação.
O Palmeiras ganhou porque entendeu qual jogo precisava jogar.
E Abel já havia dado a pista antes de a bola rolar.
“O que disse aos jogadores foi: se não formos melhores que eles naquilo que eles são os melhores, não vamos passar essa eliminatória. Não vamos passar.”
Foi exatamente isso.

O Palmeiras aceitou jogar a partida que o Cerro queria
Chuva, mais de 40 mil paraguaios pressionando, jogo físico, disputa por cada bola e uma eliminatória completamente aberta.
Era o cenário perfeito para o Cerro Porteño.
O erro do Palmeiras poderia ter sido tentar transformar aquela partida em algo que ela dificilmente seria. Não havia espaço para ingenuidade.
Abel retomou os três zagueiros com Murilo, Gustavo Gómez e Barboza e escolheu Lucas Evangelista para substituir Andreas Pereira.
Nos primeiros minutos, o Palmeiras sentiu o jogo. Isso ficou evidente.
O Cerro pressionava, o estádio pulsava e a equipe de Abel ainda procurava maneiras de sair da marcação adversária. As primeiras tentativas ofensivas foram pouco produtivas.
Só que o Palmeiras não perdeu a cabeça.
E esse talvez tenha sido um dos grandes méritos da noite.
Gómez mostrou por que é o capitão
Se alguém precisava simbolizar essa classificação, dificilmente existiria nome melhor do que Gustavo Gómez.
Foi o paraguaio quem percebeu que o Palmeiras precisava adiantar suas linhas. Incentivou Murilo a avançar na construção e aumentar a pressão sobre a saída do Cerro.
Poucos minutos depois, a mudança começou a produzir resultado.
Lucas Evangelista finalizou, conseguiu o escanteio e, aos 41 minutos, Jhon Arias colocou a bola na área.
Gómez apareceu.
Cabeçada.
Gol.
1 a 0.
Existe algo muito representativo em ver justamente Gómez decidir uma eliminatória dessas no Paraguai. Não somente pelo país onde nasceu, mas por tudo aquilo que representa dentro do Palmeiras.
É liderança que não depende apenas da braçadeira. Gómez lê o jogo, orienta os companheiros, compete e aparece nos momentos importantes.
Na Nueva Olla, fez tudo isso e ainda marcou o gol da classificação.
Não foi brilhante. E não precisava ser
No segundo tempo, o Palmeiras teve oportunidades para deixar a classificação mais tranquila.
Vitor Roque conseguiu carregar a marcação e criar espaços. Murilo apareceu pelo alto. Gómez quase marcou novamente. Flaco López teve oportunidade entrando pela direita.
O segundo gol não veio.
E aí apareceu outra característica necessária em uma eliminatória: saber administrar o desgaste sem perder competitividade.
As substituições de Abel tiveram uma lógica muito clara.
Bruno Fuchs, Giay, Emiliano Martínez, Mauricio e Luis Pacheco entraram para manter intensidade, capacidade física e organização.
Talvez alguém esperasse um Palmeiras mais agressivo atrás do segundo gol. Eu consigo compreender essa cobrança.
Mas naquele momento havia uma classificação para proteger.
Não era noite para vaidade.
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