Nosso Palmeiras
Foto: REUTERS/Cesar Olmedo
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Coluna do Verdão: Palmeiras venceu como a Libertadores exige

Há partidas em que o futebol bonito precisa aparecer. Há outras em que controlar a bola, criar dez oportunidades e dominar o adversário é quase uma obrigação. Mas existem noites de Libertadores em que é preciso simplesmente saber sobreviver.

Contra o Cerro Porteño, em Assunção, o Palmeiras soube.

A vitória por 1 a 0 talvez não entre para a coleção das grandes atuações da era Abel Ferreira. Tecnicamente, houve dificuldades. O time demorou para entrar no jogo, sofreu com o ambiente da Nueva Olla e não apresentou uma quantidade enorme de oportunidades.

Mas talvez analisar essa partida somente pela qualidade técnica seja perder justamente aquilo que decidiu a classificação.

O Palmeiras ganhou porque entendeu qual jogo precisava jogar.

E Abel já havia dado a pista antes de a bola rolar.

“O que disse aos jogadores foi: se não formos melhores que eles naquilo que eles são os melhores, não vamos passar essa eliminatória. Não vamos passar.”

Foi exatamente isso.

Foto: REUTERS/Cesar Olmedo
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O Palmeiras aceitou jogar a partida que o Cerro queria

Chuva, mais de 40 mil paraguaios pressionando, jogo físico, disputa por cada bola e uma eliminatória completamente aberta.

Era o cenário perfeito para o Cerro Porteño.

O erro do Palmeiras poderia ter sido tentar transformar aquela partida em algo que ela dificilmente seria. Não havia espaço para ingenuidade.

Abel retomou os três zagueiros com Murilo, Gustavo Gómez e Barboza e escolheu Lucas Evangelista para substituir Andreas Pereira.

Nos primeiros minutos, o Palmeiras sentiu o jogo. Isso ficou evidente.

O Cerro pressionava, o estádio pulsava e a equipe de Abel ainda procurava maneiras de sair da marcação adversária. As primeiras tentativas ofensivas foram pouco produtivas.

Só que o Palmeiras não perdeu a cabeça.

E esse talvez tenha sido um dos grandes méritos da noite.

Gómez mostrou por que é o capitão

Se alguém precisava simbolizar essa classificação, dificilmente existiria nome melhor do que Gustavo Gómez.

Foi o paraguaio quem percebeu que o Palmeiras precisava adiantar suas linhas. Incentivou Murilo a avançar na construção e aumentar a pressão sobre a saída do Cerro.

Poucos minutos depois, a mudança começou a produzir resultado.

Lucas Evangelista finalizou, conseguiu o escanteio e, aos 41 minutos, Jhon Arias colocou a bola na área.

Gómez apareceu.

Cabeçada.

Gol.

1 a 0.

Existe algo muito representativo em ver justamente Gómez decidir uma eliminatória dessas no Paraguai. Não somente pelo país onde nasceu, mas por tudo aquilo que representa dentro do Palmeiras.

É liderança que não depende apenas da braçadeira. Gómez lê o jogo, orienta os companheiros, compete e aparece nos momentos importantes.

Na Nueva Olla, fez tudo isso e ainda marcou o gol da classificação.

Não foi brilhante. E não precisava ser

No segundo tempo, o Palmeiras teve oportunidades para deixar a classificação mais tranquila.

Vitor Roque conseguiu carregar a marcação e criar espaços. Murilo apareceu pelo alto. Gómez quase marcou novamente. Flaco López teve oportunidade entrando pela direita.

O segundo gol não veio.

E aí apareceu outra característica necessária em uma eliminatória: saber administrar o desgaste sem perder competitividade.

As substituições de Abel tiveram uma lógica muito clara.

Bruno Fuchs, Giay, Emiliano Martínez, Mauricio e Luis Pacheco entraram para manter intensidade, capacidade física e organização.

Talvez alguém esperasse um Palmeiras mais agressivo atrás do segundo gol. Eu consigo compreender essa cobrança.

Mas naquele momento havia uma classificação para proteger.

Não era noite para vaidade.

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