Opinião: Palmeiras mostrou futebol para ser campeão, mas eficácia preocupa
É estranho sair de um empate contra um time da parte de baixo da…

É estranho sair de um empate contra um time da parte de baixo da tabela com uma sensação positiva. Mas foi exatamente isso que aconteceu com o Palmeiras diante do Grêmio.
Na minha avaliação, o Verdão fez uma de suas melhores partidas em 2026. Foram 29 finalizações, 65% de posse de bola, duas bolas no travessão e uma atuação dominante mesmo jogando fora de casa.
O problema é que futebol não premia quem joga melhor. Premia quem coloca a bola na rede.
E o 0 a 0 deixa dois sentimentos completamente diferentes: o desempenho anima para a reta final, mas os dois pontos desperdiçados podem fazer muita falta no Campeonato Brasileiro.

Esse é o Palmeiras que queremos ver
Talvez o aspecto mais animador tenha sido o repertório apresentado.
O Palmeiras não ficou dependente apenas de lançamento para Vitor Roque e Flaco López ou de cruzamentos sucessivos. Houve tabelas, ultrapassagens, amplitude, finalizações de média distância e aproximação entre os jogadores.
A volta para uma linha de quatro também funcionou.
Marlon Freitas foi um dos símbolos dessa mudança. Mesmo sendo teoricamente o jogador mais defensivo do meio, participou intensamente da construção e terminou com impressionantes 109 passes completos.
Giay recebeu liberdade pela direita, enquanto Andreas Pereira e Arias conseguiram encontrar espaços diante de um Grêmio que, durante boa parte do confronto, praticamente se limitou a sobreviver.
O Palmeiras amassou o adversário.
Mas não dá para normalizar esses tropeços
É justamente aí que aparece o problema.
Não estamos falando de uma atuação ruim em que o Palmeiras arrancou um ponto fora de casa. Estamos falando de uma partida na qual produziu o suficiente para vencer e não venceu.
Weverton fez uma grande atuação? Sem dúvida. Em determinados momentos, parecia disposto a provar que a famosa Lei do Ex também funciona para goleiro.
Mas quem pretende ser campeão brasileiro precisa transformar esse domínio em três pontos.
E há uma repetição preocupante. O Palmeiras já deixou pontos contra Remo, Internacional e Mirassol, adversários que também estavam envolvidos na luta contra o rebaixamento.
Uma vez acontece. Quando começa a se repetir, vira alerta.
Campeonato Brasileiro muitas vezes não é perdido nos confrontos diretos contra os grandes concorrentes. É perdido justamente nesses pontos que pareciam estar ao alcance.
A Data Fifa chega na hora certa
Se existe um momento adequado para corrigir isso, é agora.
O Palmeiras terá a pausa da Data Fifa para recuperar jogadores, descansar quem vem de uma sequência pesada e trabalhar antes da parte mais importante da temporada.
Serão 16 decisões até o fim do ano, com o clube ainda vivo no Brasileiro e nas semifinais da Libertadores e da Copa do Brasil.
E o jogo contra o Grêmio deixou uma mensagem importante.
Esse Palmeiras tem futebol para disputar os três títulos.
O que não pode é continuar jogando como candidato a campeão e desperdiçando pontos como uma equipe que ainda está tentando descobrir o que quer na temporada.
Contra o Grêmio, faltou apenas o gol. Na reta final, porém, “apenas o gol” pode ser exatamente a diferença entre levantar uma taça e terminar o ano pensando no que poderia ter sido.
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