O Palmeiras segue na liderança do Campeonato Brasileiro, mas a posição na tabela não pode esconder o sinal de alerta deixado pelo empate por 1 a 1 com o Mirassol. Para um time que pretende terminar a temporada levantando a taça, a atuação deste domingo esteve muito abaixo do necessário.
E o problema começa a deixar de ser pontual.
Dos últimos 18 pontos disputados no segundo turno, o Palmeiras conquistou apenas oito. A vantagem para o Flamengo caiu para quatro pontos, com o rival ainda tendo um jogo a menos. Uma gordura que parecia confortável começa a diminuir.

O empate acabou sendo um bom negócio
Dizer que o Palmeiras perdeu dois pontos é correto pelo contexto da tabela. Olhando apenas para o que aconteceu dentro de campo, porém, o Verdão talvez tenha conquistado um ponto.
O Mirassol esteve mais próximo da vitória. Além do gol marcado no início do segundo tempo, teve um pênalti e outro gol posteriormente anulados.
O Palmeiras teve mais posse de bola, mas faltou transformar controle em perigo. Vitor Roque esteve abaixo, Flaco López também não repetiu suas melhores atuações, e o setor ofensivo pouco produziu coletivamente.
O empate apareceu novamente através de uma arma conhecida: a bola aérea. Giay cruzou, Gustavo Gómez ganhou pelo alto e Mauricio completou.
Foi suficiente para evitar a derrota. Não para transformar a atuação em algo aceitável para um candidato ao título.
Abel tem problemas, e eles são reais
Existe um contexto que precisa ser considerado.
O Palmeiras disputa simultaneamente Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, enfrentando uma sequência pesada de partidas. Contra o Mirassol, Abel não tinha Piquerez, Arias e Paulinho, além de já não contar com Allan, negociado com o Manchester City.
O desgaste ficou evidente. O Mirassol parecia ter mais energia para pressionar, disputar bolas e acelerar o jogo.
Mais preocupante foi olhar para o banco quando Abel precisou buscar a virada. Entre as alternativas utilizadas estavam Khellven, um lateral, e Lucas Evangelista, um volante.
Para um dos elencos mais fortes do país, é um retrato curioso das limitações que surgiram justamente no momento mais importante da temporada.
O problema são os pontos que ficam pelo caminho
Empatar fora de casa acontece com qualquer campeão. A preocupação está na repetição.
O Palmeiras já deixou pontos importantes diante de equipes como Internacional, Remo e Vasco. Agora aconteceu novamente contra um adversário da parte inferior da classificação.
Campeonatos de pontos corridos também são conquistados justamente nessas partidas.
Não adianta atropelar o Santos em uma noite inspirada pela Copa do Brasil e, poucos dias depois, apresentar enorme dificuldade para produzir contra o Mirassol.
O Palmeiras continua líder e ainda depende de si. Também possui elenco, treinador e qualidade suficientes para conquistar o Brasileirão.
Mas a margem para atuações como a deste domingo está diminuindo.
O empate não tira o Palmeiras da liderança. A repetição desse tipo de desempenho, porém, pode tirar algo muito mais importante em dezembro: o título.
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