Palmeiras não brilhou na Vila, mas mostrou algo que vale muito em mata-mata
Nem toda classificação precisa de espetáculo. Às vezes, principalmente em mata-mata, entender o contexto…

Nem toda classificação precisa de espetáculo. Às vezes, principalmente em mata-mata, entender o contexto vale tanto quanto jogar bem. Foi exatamente isso que o Palmeiras fez diante do Santos na Vila Belmiro.
Depois de construir um contundente 3 a 0 na ida, o time de Abel Ferreira chegou ao segundo jogo com uma missão simples: não transformar uma eliminatória praticamente resolvida em um problema. O empate por 0 a 0 esteve longe de ser brilhante, mas levou o Verdão à semifinal da Copa do Brasil pela décima vez.
E sem sustos relevantes.

Abel entendeu o tamanho da vantagem
Seria necessária uma derrota por quatro gols para o Palmeiras ser eliminado diretamente. Em quase seis anos de Abel, isso aconteceu apenas uma vez.
Era, portanto, desnecessário transformar a Vila em uma batalha de vida ou morte.
Abel descansou Gustavo Gómez, utilizou Barboza e deixou Vitor Roque inicialmente no banco, reforçando o meio com Lucas Evangelista. A formação demorou a encaixar, e o Santos teve mais posse e iniciativa no primeiro tempo.
Mas existe uma diferença importante entre ter a bola e ameaçar uma classificação.
O Santos conseguiu o primeiro. O segundo, praticamente nunca.
Defesa mostrou por que Abel confia tanto neste grupo
Se ofensivamente o Palmeiras demorou a produzir, sem a bola houve atuações que merecem destaque.
Giay terminou com seis desarmes e dificultou bastante a participação de Neymar. Arthur conseguiu impressionantes dez desarmes, enquanto Evangelista também apareceu em momento importante ao recuperar uma bola do camisa 10 santista próximo à área.
O Palmeiras estava confortável em deixar o relógio correr.
E talvez a palavra que melhor explique a atuação seja justamente essa: controle.
Mesmo quando não tinha o domínio da posse, o Verdão sabia que o adversário precisava correr riscos.
Palmeiras poderia até ter vencido
Curiosamente, as melhores oportunidades mostraram que havia espaço para sair da Vila com outro triunfo.
Mauricio desperdiçou chances no primeiro tempo. Na etapa final, Arthur aproveitou um erro na saída santista, mas finalizou para fora. Depois, em bela jogada ensaiada envolvendo Andreas, Giay e Khellven, Vitor Roque apareceu livre para cabecear e também não acertou o alvo.
Abel percebeu que não havia razão para aumentar o risco.
Emiliano Martínez substituiu Marlon Freitas, enquanto Luis Pacheco e Larson também ganharam minutos. Mais do que tentar vencer a qualquer custo, era hora de administrar pernas pensando no calendário que vem pela frente.
O Palmeiras continua onde queria estar
É possível cobrar melhor aproveitamento das oportunidades e mais qualidade ofensiva. Isso será necessário diante de adversários mais fortes e em confrontos equilibrados.
Mas criticar o Palmeiras por não transformar a partida da Vila em um espetáculo seria ignorar o que havia sido construído anteriormente.
Mata-mata se joga em 180 minutos.
O Palmeiras goleou quando precisava atacar e controlou quando precisava administrar. Saiu da Vila invicto nos clássicos estaduais em 2026, classificado para a semifinal da Copa do Brasil e ainda vivo também no Brasileirão e na Libertadores.
Não foi uma noite para encher os olhos.
Foi uma noite para confirmar algo que o Palmeiras de Abel já demonstrou muitas vezes: em mata-mata, saber sofrer, controlar e escolher o momento de acelerar também é uma forma de superioridade.
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