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Coluna do Verdão: culpar Endrick pela eliminação é a saída dos aproveitadores

Os inimigos do Palmeiras estão tentando colocar a culpa da eliminação, da pior seleção de todos os tempos, no Endrick

A eliminação do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo de 2026 foi dolorosa. Não apenas pelo resultado, mas pela forma como aconteceu. E, como infelizmente virou costume no futebol brasileiro, bastaram alguns minutos para que muita gente escolhesse um único culpado: Endrick.

É impressionante como parte da discussão pública prefere encontrar um bode expiatório em vez de analisar os 90 minutos.

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Sim, Endrick perdeu uma oportunidade clara após entrar no segundo tempo. Acontece. Grandes atacantes do futebol mundial já desperdiçaram chances muito mais fáceis em Copas do Mundo. Faz parte do jogo.

O problema é transformar um garoto que sequer começou como titular no principal responsável pela eliminação.

Onde estavam essas críticas quando Bruno Guimarães desperdiçou um pênalti? Onde estavam quando a Seleção criou pouco durante boa parte da partida? Onde estavam quando o sistema defensivo voltou a sofrer nos momentos decisivos?

Uma eliminação em Copa do Mundo nunca acontece por causa de um único lance.

Também é impossível ignorar as escolhas de Carlo Ancelotti ao longo da competição. O treinador optou por dar poucas oportunidades a Endrick durante o torneio e insistiu em jogadores mais experientes, mesmo quando o desempenho coletivo não correspondia.

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Foto: Getty Images

Quando o atacante do Palmeiras entrava, normalmente encontrava uma equipe já pressionada, precisando buscar o resultado a qualquer custo. É um cenário muito diferente de começar uma partida com igualdade no placar e um plano de jogo definido.

Endrick terminou sua primeira Copa praticamente como coadjuvante. Ainda assim, mostrou personalidade para tentar decidir quando foi chamado.

O que chama atenção é a facilidade com que parte da torcida e das redes sociais escolhe um jovem de apenas 20 anos para carregar o peso de um fracasso coletivo.

Enquanto isso, pouco se discute o desempenho geral da Seleção, que esteve abaixo do esperado em diversos momentos da competição.

A eliminação do Brasil passa por escolhas técnicas, rendimento coletivo, erros individuais de diferentes jogadores e um adversário que soube aproveitar suas oportunidades.

Reduzir tudo isso a um gol perdido por Endrick é simplificar um problema muito maior.

O ex-Palmeiras ainda terá muitas Copas pela frente. Quem acompanha sua trajetória desde a base sabe que personalidade nunca foi um problema para ele. Pelo contrário: foi justamente nos momentos de maior pressão que ele construiu sua história vestindo a camisa do Verdão.

Se existe uma lição nessa eliminação, talvez seja para todos nós: antes de apontar o dedo para um jovem talento, vale lembrar que futebol é um esporte coletivo. E derrotas desse tamanho jamais têm apenas um responsável.

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