Contratado com status de reforço de peso e cercado por grandes expectativas, Paulinho chegou ao Palmeiras para ser um dos protagonistas do elenco. No papel, fazia todo sentido: um atacante de alto nível, com passagens marcantes por Vasco e Atlético-MG, convocação para a Seleção Brasileira e capacidade comprovada de decidir partidas.
Mas, passados vários meses desde sua chegada, é difícil fugir de uma conclusão: até aqui, a contratação não entregou o retorno esperado.
Isso não significa colocar em dúvida a qualidade técnica do jogador. Pelo contrário. Quando esteve em condições físicas, Paulinho mostrou que tem recursos para ser decisivo. Inteligência, movimentação, capacidade de finalização e qualidade no último passe nunca foram questionadas.
O grande problema nunca foi o futebol.

O problema é que ele simplesmente não consegue permanecer em campo.
Desde que chegou ao Palmeiras, o atacante acumulou longos períodos no departamento médico. Primeiro, a recuperação da grave lesão que já carregava antes mesmo de vestir a camisa alviverde. Depois vieram a entorse no tornozelo, dores musculares e, agora, uma nova lesão no músculo adutor da coxa direita.
Enquanto isso, segue existindo uma enorme incógnita sobre a condição física da perna que passou por duas cirurgias. O clube trata cada caso separadamente, mas é inevitável que o torcedor se pergunte quando Paulinho conseguirá ter uma sequência de jogos.
E essa é justamente a maior frustração.
Não adianta ter um jogador talentoso se ele não consegue estar disponível para atuar. Futebol de alto rendimento exige continuidade. Exige ritmo. Exige presença. Até aqui, Paulinho participou de uma parcela pequena das partidas do Palmeiras desde sua contratação, número incompatível com o investimento realizado.
E não estamos falando de um investimento comum.
Paulinho custou cerca de R$ 115 milhões aos cofres do Palmeiras e figura entre os jogadores mais bem remunerados do futebol brasileiro. Naturalmente, uma contratação desse porte traz uma expectativa proporcional ao valor investido.
Hoje, infelizmente, o custo-benefício está muito distante do esperado para o Palmeiras
É importante separar as críticas. Não se trata de falta de comprometimento do atleta. Nunca houve qualquer indicação de desleixo ou pouca dedicação na recuperação. Lesões fazem parte do futebol e ninguém escolhe passar mais tempo tratando problemas físicos do que jogando.
Mas o futebol também é resultado.
E, sob essa ótica, o Palmeiras precisa reconhecer que, até o momento, a contratação de Paulinho não correspondeu ao planejamento esportivo do clube.
Ainda há tempo para mudar essa história. Pela idade e pela qualidade técnica, Paulinho pode, sim, dar a volta por cima e justificar o investimento. O torcedor palmeirense certamente gostaria de vê-lo saudável e decisivo em campo.
Só que, enquanto as lesões continuarem sendo mais frequentes do que as boas atuações, será inevitável que essa contratação permaneça entre as maiores decepções da história recente do Palmeiras.
O talento nunca esteve em discussão. O que precisa aparecer, definitivamente, é a continuidade.
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