O coordenador das categorias de base do Palmeiras, João Paulo Sampaio, voltou a chamar atenção ao revelar novas medidas adotadas pelo clube para fortalecer a formação de atletas. Em entrevista ao ge, o dirigente explicou que proibiu o uso de vídeos nas preleções das equipes até o sub-16 e defendeu mudanças profundas na maneira como o futebol brasileiro desenvolve seus jovens talentos.
Para ele, a prioridade deve ser formar jogadores preparados para o alto nível, mesmo que isso signifique abrir mão de títulos nas categorias inferiores.

Palmeiras aposta em método diferente na formação
Uma das decisões mais surpreendentes anunciadas por João Paulo Sampaio foi o fim dos vídeos nas preleções das categorias até o sub-16. Segundo o coordenador, os atletas precisam desenvolver a capacidade de interpretação e compreensão tática sem depender de recursos audiovisuais.
“Tem três meses que a gente não tem analista de desempenho do sub-16 para baixo. A preleção até 16 anos não pode mais ter vídeo. Quero que o menino veja na prancheta e entenda o que o treinador vai falar”, explicou.
A medida faz parte de um projeto mais amplo implantado pelo Palmeiras para reduzir o excesso de telas na rotina dos atletas da base.
Recentemente, o clube também proibiu o uso de celulares no centro de treinamento das categorias inferiores e inaugurou um espaço de leitura em homenagem ao técnico Abel Ferreira.
De acordo com João Paulo, a ideia é incentivar hábitos que desenvolvam concentração, criatividade e tomada de decisão dentro e fora de campo.
Coordenador critica modelo do futebol brasileiro
Durante a entrevista, João Paulo também fez duras críticas ao cenário da formação de atletas no Brasil.
Para ele, falta um projeto nacional que estabeleça objetivos claros para o desenvolvimento dos jovens jogadores.
“Falta quem pense o futebol brasileiro. Jogador a gente vai ter a vida toda. O futebol brasileiro não tem caminho”, afirmou.
O dirigente ainda criticou a cultura de priorizar vitórias nas categorias de base em vez da evolução individual dos atletas.
Segundo ele, muitos clubes colocam a conquista de campeonatos acima da formação, o que pode comprometer o desenvolvimento dos jogadores a longo prazo.
Filosofia prioriza formação acima dos títulos
A metodologia adotada pelo Palmeiras também inclui decisões pouco convencionais.
O clube costuma retirar jogadores importantes de competições para proporcionar novas experiências, como intercâmbios internacionais ou participação em outras modalidades, além de promover atletas mais jovens para categorias superiores, mesmo sabendo que isso pode resultar em derrotas.
Outra característica é a formação tática dos atletas. No Palmeiras, os jovens são estimulados a atuar em diferentes posições ao longo da formação. Meias, por exemplo, são incentivados a jogar pelo centro do campo, enfrentando espaços reduzidos e maior pressão, em vez de serem deslocados para as pontas.
João Paulo citou nomes como Gabriel Menino, Danilo, Allan, Estêvão e Gabriel Veron como exemplos de atletas que passaram por esse processo.
Os resultados aparecem também no elenco profissional. Atualmente, seis jogadores formados na Academia fazem parte do grupo principal do Palmeiras, enquanto outros atletas revelados pelo clube seguem carreira no futebol brasileiro e europeu, consolidando o Verdão como uma das maiores referências na formação de talentos da América do Sul.
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