O Palmeiras continua na liderança do Campeonato Brasileiro, mas os números mostram uma queda significativa de rendimento desde a retomada da competição após a pausa para a Copa do Mundo. O aproveitamento alviverde caiu de 75,92% para 52,38%, enquanto a vantagem sobre o Flamengo diminuiu.
Antes da pausa, o Verdão conquistou 41 dos 54 pontos disputados. Nos sete jogos seguintes pelo Brasileirão, foram apenas 11 pontos em 21 possíveis. A diferença para o Flamengo, que chegou a oito pontos há quatro rodadas, agora é de quatro — e o rival ainda tem um jogo a menos.
Comentaristas ouvidos pelo ge apontaram uma combinação de fatores para explicar a oscilação.
Fonte: GE

Lesões, calendário e perdas pesam no Palmeiras
Para Caio Ribeiro, a sequência de partidas e as mudanças no elenco ajudam a entender o momento.
— A sequência te traz algumas lesões, como a do Sosa e a do Piquerez. Quando vende o Allan, não tem reposição à altura. Quando machuca o Arias, perde os dois caras de intensidade pelos lados. Tem que se reinventar — avaliou.
O Palmeiras é um dos apenas quatro clubes da Série A que seguem simultaneamente em três competições, ao lado de Santos, Atlético-MG e Vasco.
Fernando Prass também chama atenção para um paradoxo do atual elenco.
— É o grupo mais qualificado que o Palmeiras tem nesse período de Abel, mas não é o time que joga o melhor futebol — afirmou.
Segundo o ex-goleiro, jogadores como Vitor Roque e Piquerez atravessam momentos abaixo do esperado, enquanto determinadas posições não possuem substitutos com as mesmas características dos titulares.
Defesa virou ponto de preocupação
Se os gols continuam aparecendo, a solidez defensiva já não é a mesma.
Cabral Neto destaca que o modelo de marcação por encaixes individuais pode gerar espaços quando um jogador perde seu duelo, especialmente pelos lados do campo.
Prass também observa uma queda justamente em uma das principais características das equipes de Abel: a capacidade de controlar o adversário defensivamente.
Curiosamente, a produção ofensiva aumentou. A média passou de 1,66 para 2,14 gols por partida depois da pausa, impulsionada principalmente pelas goleadas sobre Vasco e Vitória.
E Abel Ferreira?
Os comentaristas não isentam o treinador, mas também evitam colocar toda a responsabilidade sobre ele.
— O Abel tem que ser cobrado porque o time pode jogar mais bola do que vem jogando — afirmou Caio Ribeiro.
Cabral Neto pondera que algumas soluções utilizadas pelo português são emergenciais, principalmente porque as peças disponíveis nem sempre oferecem as mesmas características daqueles que deixaram o time.
A recuperação, portanto, não necessariamente exige uma revolução.
Para os especialistas, o Palmeiras precisa recuperar intensidade e fluidez ofensiva, corrigir a marcação pelos lados, diminuir os apagões durante as partidas e colocar jogadores importantes novamente em boas condições.
As atuações contra Vasco e Santos mostraram que o futebol de alto nível ainda existe. O desafio de Abel é fazer com que ele deixe de aparecer apenas em momentos isolados.
O Palmeiras continua líder, mas a vantagem diminuiu. E os números deixam claro que recuperar a regularidade passou a ser urgente.
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