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Coluna do Verdão: o sorteio sorriu para o Palmeiras, mas é exatamente aí que mora o perigo

Palmeiras leva sorte no sorteio da Libertadores, porém todo cuidado é pouco

O Palmeiras voltou a ser apontado como um dos grandes vencedores dos sorteios das competições mata-mata. Após a definição das oitavas de final da Libertadores, o Verdão terá pela frente o Cerro Porteño, adversário tradicional, conhecido e que, historicamente, costuma sofrer diante da equipe alviverde.

Olhando friamente para o chaveamento, é difícil negar que o caminho parece favorável.

Mesmo tendo perdido em casa e empatado no Paraguai durante a fase de grupos, o Palmeiras continua sendo amplamente superior ao Cerro Porteño quando analisamos elenco, investimento, estrutura e histórico recente na competição.

Os números também ajudam a explicar esse otimismo.

O Cerro é, simplesmente, um dos maiores fregueses da história do Palmeiras na Libertadores. Em 18 confrontos, o Verdão venceu dez vezes, empatou cinco e perdeu apenas três. Além disso, eliminou os paraguaios em todos os mata-matas que disputaram.

Por isso, naturalmente, parte da torcida e da imprensa já começa a olhar além das oitavas.

Foto: Reprodução - PALMEIRAS
Foto: Reprodução

Quando se observa o possível caminho até a final, muitos enxergam apenas um adversário realmente capaz de equilibrar forças com o Palmeiras: o Fluminense.

Mas é justamente aí que está a armadilha.

Esse pensamento pode ser aceitável para comentaristas, jornalistas e torcedores. Afinal, analisar cenários e projetar confrontos faz parte do debate esportivo.

O problema seria se esse discurso entrasse dentro da Academia de Futebol.

Abel Ferreira sabe melhor do que ninguém que a Libertadores não costuma respeitar favoritismos.

Aliás, a própria fase de grupos serviu como alerta.

Quem imaginava que o Cerro Porteño venceria o Palmeiras dentro do Allianz Parque? Pouquíssimos.

Quem acreditava que a invencibilidade alviverde em casa na Libertadores seria encerrada justamente pelos paraguaios? Quase ninguém.

E foi exatamente isso que aconteceu.

O futebol sul-americano está cheio de exemplos de equipes que começaram a planejar semifinais e finais antes de superar as oitavas.

Muitas delas ficaram pelo caminho.

Se existe uma característica que transformou o Palmeiras de Abel Ferreira em uma potência continental, foi justamente a capacidade de tratar cada confronto como uma decisão isolada.

Sem olhar para frente.

Sem escolher adversários.

Sem cair na tentação do “já passou”.

Por isso, o sorteio pode até ter sido favorável.

O retrospecto pode até ser amplamente positivo.

O chaveamento pode até parecer mais acessível do que o de outros candidatos ao título.

Mas nada disso entra em campo.

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O que entra em campo é um Cerro Porteño que chega motivado após ter sido uma das poucas equipes capazes de derrotar o Palmeiras nesta temporada.

O que entra em campo é um time paraguaio que já mostrou não ter medo do Verdão.

E o que entra em campo é uma Libertadores que, ano após ano, insiste em derrubar favoritos.

A torcida pode sonhar com a final.

Os comentaristas podem projetar o caminho.

Mas Abel Ferreira e seus jogadores precisam continuar fazendo exatamente o que os trouxe até aqui: pensar apenas no próximo jogo.

Porque quando um time começa a acreditar que o caminho está fácil, normalmente descobre da pior maneira possível que não existe caminho fácil na Libertadores.

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