Nosso Palmeiras

Coluna do Verdão: um dos maíores ídolos do Palmeiras está se despedindo

Raphael Veiga não é só uma saída. É um capítulo que se encerra no Palmeiras

Nesta sexta-feira, o Palmeiras começa a se despedir de algo que vai muito além de um jogador. Raphael Veiga seguirá por empréstimo para o América do México, clube comandado por André Jardine, com opção de compra que pode chegar a 6 milhões de dólares. No papel, é apenas mais um movimento de mercado. Na prática, é o fim de uma era.

O meia deixa o clube após nove temporadas, 11 títulos e 109 gols. Números impressionam, mas não explicam tudo. Raphael Veiga não é apenas mais um atleta saindo do Palmeiras. Ele é um ídolo. Um daqueles raros casos em que a história pessoal se mistura com a história do clube.

O Palmeiras opta por liberá-lo sem retorno financeiro imediato, apostando em metas futuras. É uma decisão fria, racional, típica do futebol moderno. Ainda assim, carrega um peso simbólico enorme. Porque Veiga não sai por queda brusca de rendimento, nem por conflito. Sai porque o clube entendeu que era hora de virar a página.

E que página.

Veiga. Foto: Cesar Greco/Palmeiras
Veiga. Foto: Cesar Greco/SEP

Veiga é o maior artilheiro do Palmeiras no século XXI. É o maior goleador da história do Allianz Parque. É o jogador com mais gols em finais em 111 anos de clube. É o rosto de conquistas, decisões, noites grandes. Mas nenhuma dessas marcas supera sua maior vitória.

Raphael Veiga realizou um sonho que começa longe dos gramados profissionais. Começa nas arquibancadas de cimento do antigo Palestra Itália, onde um garoto aprendeu a amar o clube levado pelo pai, que antes fora levado pelo avô. Um ciclo de paixão, promessa e destino.

Zé Rafael e Veiga. Foto: Cesar Greco/Palmeiras
Zé Rafael e Veiga. Foto: Cesar Greco/SEP

No leito de uma UTI, o avô Rafael fez um pedido simples e definitivo: “Joga no Palmeiras”. Veiga cumpriu. Cumpriu com gols, títulos e entrega. Cumpriu com respeito à camisa. Cumpriu com alma.

Talvez o futebol nunca consiga medir isso em cifras. Mas o Palmeiras, goste ou não, jamais apagará Raphael Veiga da própria história. Porque ídolos não saem. Eles permanecem. Mesmo quando vão embora.

A opinião de um artigo assinado não reflete necessariamente a opinião do site, é o ponto de vista exclusivo do autor que elaborou o artigo.

Veja também