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O Palmeiras tem o elenco mais caro da América do Sul. Então por que não é o maior favorito à Libertadores?

O plantel alviverde vale R$ 1,68 bilhão ESPN.com, mais do que qualquer outro clube do continente. É dinheiro suficiente para comprar dois, três, quatro elencos dos rivais sul-americanos. E mesmo assim, quando o mercado de apostas atribui probabilidades para a Libertadores 2026, o Palmeiras aparece na segunda posição, com 17% de chance de título, segundo as previsões para a Libertadores 2026.

A pergunta é legítima: o que um elenco bilionário não consegue comprar na Libertadores?

A resposta está na natureza da competição. A Libertadores não é uma liga onde o melhor time ao longo de 38 rodadas acumula pontos e sagra-se campeão. É um torneio de mata-mata onde uma única noite ruim, num estádio hostil na Argentina, no Paraguai ou na Colômbia, pode encerrar meses de trabalho. O elenco mais caro do continente não tem desconto nessa lógica.

Desde 2019, o Brasil venceu todas as edições do torneio continental, sete títulos seguidos para clubes brasileiros Folha Vitória, uma hegemonia sem precedentes na história da competição. Mas nesse período, o Palmeiras conquistou duas das sete edições. Outros clubes, com folhas salariais muito menores, também venceram. A hegemonia é brasileira, não necessariamente palmeirense.

Os números históricos do Verdão na competição revelam exatamente onde está o paradoxo. O Palmeiras detém o maior aproveitamento de vitórias na história da Libertadores, com 57,25%, e a melhor média de gols, de 1,95 por partida O Futbolero. Na fase de grupos, o domínio é quase absoluto: desde 2018, foram 41 vitórias em 48 jogos, com 136 gols marcados e apenas 31 sofridos O Futbolero. O time não tem rival na fase inicial. O problema nunca foi chegar ao mata-mata em boa fase.

É no mata-mata que a equação muda. Os duelos de ida e volta contra times que conhecem seus estádios como ninguém, que jogam com pressão e intensidade fora do padrão do futebol brasileiro, criam um ambiente onde talento individual e valor de mercado pesam menos do que organização tática, experiência continental e frieza nas decisões.

Reforçado com Jhon Arias e Marlon Freitas para esta temporada, o time de Abel Ferreira chega como atual campeão paulista ND Mais e com motivação extra após o vice-campeonato de 2025. O grupo na fase de grupos é acessível, com adversários que historicamente não criam grandes dificuldades para o Verdão. A passagem para o mata-mata é praticamente garantida.

Abel Ferreira é outro fator que merece atenção. O técnico português acumula dois títulos continentais pelo clube e conhece como poucos os detalhes que separam semifinalistas de campeões: gestão de elenco ao longo de uma temporada longa, rotação inteligente, leitura tática nos momentos de maior pressão. Dentro do campo, essa experiência acumulada vale tanto quanto qualquer contratação.

O talento está lá. A estrutura está lá. O dinheiro, mais do que em qualquer outro clube do continente, também está lá. O que a Libertadores exige além disso é justamente o que não se compra: estar no dia certo, na noite certa, quando a margem para erro é zero. Nos últimos anos, o Palmeiras já provou que sabe fazer isso. A questão é repetir.

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