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Coluna do Verdão: Palmeiras flerta com o perigo e empate na Libertadores escancara problema

Palmeiras voltou a administrar vantagem mínima, perdeu intensidade e acabou punido em Assunção

O empate do Palmeiras contra o Cerro Porteño, pela Copa Libertadores, deixou uma sensação clara: o resultado não foi acidente. O time de Abel Ferreira vinha flertando com esse cenário há alguns jogos. Dessa vez, a conta chegou.

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O problema não foi apenas o empate em si. O ponto principal envolve a postura do time durante as partidas. O Palmeiras novamente jogou “na conta do chá”, administrando vantagem mínima e reduzindo intensidade cedo demais.

Durante o primeiro tempo, o Verdão dominou completamente o adversário. Criou chances, controlou o meio-campo e mostrou superioridade técnica evidente. No entanto, mais uma vez, faltou transformar controle em resultado confortável.

Por outro lado, a equipe caiu drasticamente de rendimento na etapa final. O adversário cresceu sem precisar fazer grande esforço técnico. Bastou insistência e um pouco de acaso para mudar o jogo.

Palmeiras
Foto: César Greco

O gol sofrido resume perfeitamente o momento palmeirense. Um chute despretensioso de longa distância bateu na trave e voltou nas costas de Carlos Miguel antes de entrar. Foi um lance improvável, mas também consequência de um time que passou a aceitar riscos desnecessários.

Além disso, chama atenção o fato de o Palmeiras estar sofrendo justamente contra adversários tecnicamente inferiores. Nos últimos anos, o clube construiu reputação de superioridade na fase de grupos da Libertadores. Muitos desses jogos terminavam em goleadas ou vitórias tranquilas.

Agora, porém, o cenário mudou. O time segue competitivo, mas administra demais os jogos. Em vários momentos, parece acreditar que vencerá naturalmente apenas pela qualidade do elenco. Esse comportamento reduz agressividade e aumenta margem para erros.

Estudos de desempenho esportivo mostram que equipes que diminuem intensidade após abrir vantagem tendem a sofrer mais finalizações no fim das partidas. Esse padrão apareceu novamente em Assunção. O controle emocional e tático desapareceu quando o jogo exigiu mais concentração.

Isso não significa crise ou terra arrasada. O Palmeiras continua sendo um dos times mais fortes do continente. Ainda assim, o alerta é evidente. Em torneios eliminatórios, jogar constantemente no limite pode custar caro.

Por fim, o empate serve como aviso importante para a sequência da temporada. Quem joga sempre “na conta do chá” corre risco permanente. Contra equipes mais fortes, o castigo pode ser ainda maior.

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